Fevereiro 25 2010

OS LUSÍADAS

 

 

O ELOGIO PÁTRIO

 

Camões celebra em Os Lusíadas a acção grandiosa e heróica dos Portugueses que deram início a um vasto Império que se estendeu pelos diversos continentes. Ao relatar a viagem à Índia, entrecortando-a com episódios do passado e profecias do futuro, mostra a história de um povo que teve a ousadia da aventura marítima, «dando novos mundos ao mundo».

 

Os Lusíadas surgem assim como uma epopeia das façanhas dos portugueses nos mares que os levaram à Índia, trazendo ao conhecimento povos remotos, lugares ignorados e inóspitos, unificando civilizacionalmente os cinco continentes.

 

É uma obra que celebra alegoricamente o direito à imortalidade dos nautas portugueses pelos seus feitos históricos, mas recorda ainda fragmentos da história grandiosa de Portugal e profetiza acontecimentos futuros, cuja visão os deuses são capazes de antecipar.

 

Os Lusíadas revelam ainda o espírito do homem da Renascença que acredita na experiência e na razão. Por isso, a exploração marítima levada a cabo pelos Portugueses nada mais é do que a afirmação do espírito empreendedor de um povo, cuja experiência, espírito de aventura e vontade indómita conseguiram superar a fragilidade da sua condição humana.

 

 

A MITIFICAÇÃO DO HERÓI

 

A intenção de exaltar os heróis portugueses que construíram e alargaram o Império levou Camões a torná-los símbolos da capacidade de ultrapassar a «força humana» e de merecerem um lugar entre os seres imortais.

 

Os navegantes, e em especial Vasco da Gama, ultrapassam a sua individualidade e assumem-se como símbolos do heroísmo lusíada, do seu espírito de aventura e da sua acção humanística e civilizacional. Deste modo, numa leitura simbólica, a viagem, mais do que a exploração dos mares, exprime a passagem do desconhecido para o conhecimento, da realidade do Velho Continente e dos seus mitos indefinidos para novas realidades de um planeta a descobrir.

 

 

REFLEXÕES DO POETA

 

Camões, ao longo da obra, faz diversas considerações, referindo, por um lado, os «grandes e gravíssimos perigos» da aventura marítima, chamando a atenção para a tormenta e o dano do mar, a guerra e o engano em terra, mas por outro também faz a apologia da expansão territorial para divulgar a fé cristã, manifestando o seu patriotismo e exortando D. Sebastião a dar continuidade à obra grandiosa do povo português.

 

Assim, se o poeta realça o valor das honras e glórias alcançadas por mérito próprio pelos portugueses, lamenta que estes nem sempre saibam aliar a força e a coragem ao saber e à eloquência, destacando deste modo a importância das artes. Não deixa também de se queixar de todos aqueles que pretendem atingir a imortalidade sem sacrifício, dizendo-lhes que a cobiça, a ambição e a tirania são honras vãs que não dão verdadeiro valor ao homem.

 

 

MENSAGEM

 

 

A VISÃO PROFÉTICA DA HISTÓRIA

 

O poema épico-lírico de Pessoa canta, de forma fragmentária e introspectiva, um Portugal que se encontra em declínio e a necessitar de uma nova força anímica. Depois de relembrar um passado de heroísmo e grandezas, o poeta profetiza, numa perspectiva messiânica, um futuro que cumpra Portugal, o surgimento de um novo império espiritual e civilizacional, que identifica como o Quinto Império. Pessoa procura assim libertar a pátria de um passado que se desmoronou e encontrar um novo heroísmo que exige grandeza de alma e capacidade de sonhar.

 

 

A ESTRUTURA SIMBÓLICA

 

Os poemas da Mensagem agrupam-se em três partes, correspondentes às etapas da evolução do Império português: Brasão (fundação da nacionalidade), Mar Português (realização do sonho marítimo) e O Encoberto (dissolução do império).

 

A inspiração da obra prende-se com o mito sebastianista, que exprime o drama de um país moribundo, à «beira mágoa», a necessitar de acreditar de novo nas suas capacidades e valores que antigamente lhe permitiram a conquista dos mares e a sua afirmação no mundo.

 

O rei desaparecido em Alcácer Quibir simboliza a ideia de um retomar do heroísmo pátrio que se configura não no âmbito de um império territorial, mas espiritual. O Quinto Império seria, para Fernando Pessoa, um novo império civilizacional, cultural e espiritual. Reavivando o mito sebastianista, anunciando o Quinto Império, o Poeta procurou, tal como Camões, ser a voz da consciência da identidade que Portugal necessitava.

 

 

HERÓIS

 

À semelhança de Os Lusíadas, Pessoa elogia todas as figuras que no passado engrandeceram o nome de Portugal. Os heróis míticos surgem ligados à formação e consolidação da nacionalidade, às descobertas e expansão imperial e como esperança de um novo império.

 

Estes heróis são inspirados por uma missão transcendente, cumprindo um dever individual e pátrio e, por isso, alcançam a imortalidade. A sintonia entre a vontade divina e o sonho humano funda uma atitude de incessante busca, representada pelo desejo de chegar mais além, pela firmeza com que o Português combate o medo e vitoriosamente reclama o domínio do mar e de mundos antes desconhecidos.

 

 

 

 

SIMBOLOGIA DAS OBRAS

 

Os Lusíadas de Camões são uma alegoria, com a intriga dos deuses mitológicos a darem unidade à acção e a favorecerem o seu desenvolvimento, exprimindo as forças e dificuldades que se apresentavam ao espírito humano na aventura marítima. Estes são seres efabulados que mostram que os nautas e todos os heróis lusíadas merecem a imortalização.

 

A Mensagem de Fernando Pessoa é uma obra mítica e simbólica, dando conta do Portugal erguido pelo esforço dos heróis e destinado a grandes feitos. No entanto, perante a decadência e a desintegração do império, a obra apela a um novo ímpeto para superar um presente de sofrimento e de mágoa, pois falta «cumprir-se Portugal», que ressurgirá em todo o esplendor no Quinto Império.

publicado por esjapportugues12 às 15:47

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