Janeiro 12 2010

ODE TRIUNFAL

 

Correcção do Guião de Leitura

 

Grupo A

 

 

 

1.  Identifica a importância do título «Ode Triunfal».

 

A palavra «ode», de origem grega, significa um cântico laudatório de uma pessoa, instituição ou acontecimento, por isso, associada ao adjectivo «triunfal», traduz algo de grandioso, espectacular, sublinhando, deste modo, a intenção do sujeito poético de celebrar a modernidade, o triunfo da civilização técnica e industrial.

 

2. Indica a situação em que se encontra o sujeito poético, no início do texto.

 

O sujeito poético, exposto à «dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica», sente-se debilitado pela febre e, por isso, mais intensamente permeável aos ruídos, aos odores, aos movimentos alucinantes das máquinas («Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,/ De vos ouvir demasiadamente de perto…»). O estado nevrótico do sujeito poético fá-lo sentir-se simultaneamente incomodado e arrebatado pelos «maquinismos em fúria» («Escrevo rangendo os dentes…»; «Em fúria fora e dentro de mim…»; «…todos os meus nervos dissecados fora…»), não conseguindo resistir à multiplicidade de sensações que a modernidade lhe proporciona («E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso…»).

 

3. Diz de que modo o poema é uma celebração da modernidade.

 

Numa tentativa de celebrar a civilização moderna e cosmopolita, de glorificar o progresso e as conquistas tecnológicas e mecânicas, o sujeito poético evoca a «embriaguez» de tudo o que é novo, fruto do génio criador do homem. Evoca os «grandes ruídos modernos», as «máquinas», «todas as dinâmicas», acompanhando o ritmo alucinante da contemporaneidade. Sente-se perfeitamente em sintonia com uma realidade, onde a energia, a mecânica e a força têm expressão máxima, por isso diz querer «abrir-se completamente, tornar-se passento a todos os perfumes de óleos e calores e carvões» de uma «flora estupenda, negra, artificial», em «fraternidade com todas as dinâmicas».

 

4. Retira do texto exemplos do sensacionismo de Campos.

 

A embriaguez da modernidade e a entrega voluptuosa do sujeito poético à violência das sensações são características da poesia de Campos. O progresso mecânico e industrial arrasta-o para um universo de sensações novas e violentas, numa espécie de delírio, deixando-o entregue a essa nova realidade de força, energia, velocidade e movimento («…querer cantar com um excesso / De expressão de todas as minhas sensações…»). O sensacionismo de Campos, de cariz masoquista e sensualista, apela a um gozo orgíaco e extremo: «Eu podia morrer triturado por um motor / Com o sentimento de deliciosa entrega duma mulher possuída.»; «Metam-me debaixo dos comboios! / Espanquem-me a bordo dos navios!».

 

5. Mostra que a glorificação da contemporaneidade alterna com a denúncia dos aspectos mais negativos do progresso.

 

A impetuosa celebração da modernidade é atenuada pela atitude irónica do sujeito poético na denúncia dos efeitos perversos do progresso civilizacional. Assim, o sujeito critica a imoralidade e a desumanidade da «gente ordinária e suja», incomoda-se com a miséria da «gente humana que vive como cães», ofende-se perante a perversidade de todos os que estão «abaixo de todos os sistemas morais», comove-se com esta «fauna maravilhosa do fundo do mar da vida». A sua atitude crítica estende-se até à decadência da sociedade, mergulhada em «corrupções políticas», «escândalos financeiros e diplomáticos», «agressões políticas nas ruas».

 

6. Comenta a expressividade das exclamações e das enumerações ao longo do excerto.

 

As exclamações traduzem a atitude exaltada e impetuosa do sujeito poético, que tenta apreender de forma desmesurada todos os estímulos da modernidade. O excesso violento de sensações fá-lo evocar realidades novas, num apelo ao gozo quase perverso da agressividade, da dor e do prazer («Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!»; «Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!»; «Masoquismo através dos maquinismos!»; «Atirem-me para dentro das fornalhas!»). As enumerações expressam o frenético desejo do sujeito poético sentir tudo de todas as maneiras, registando de forma aparentemente caótica as sensações que experimenta («Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!»; «A todos os perfumes de óleos e calores e carvões...»).

 

 

Grupo B

 

Álvaro de Campos representa o típico poeta da modernidade, da civilização e da técnica do mundo contemporâneo […].

 

David Mourão-Ferreira, Fernando Pessoa – O Rosto e as Máscaras

 

Tópicos a desenvolver:

 

• Engenheiro naval e viajante, Álvaro de Campos surge como um vanguardista e cosmopolita, exaltando, em tom futurista, a civilização moderna e os valores do progresso;

 

• Cantor do mundo moderno, o poeta procura sentir «tudo de todas as maneiras», seja a força explosiva dos maquinismos, seja a velocidade, a energia, o movimento;

 

• «Poeta da modernidade, Campos tanto celebra a civilização industrial e mecânica, como expressa o desencanto do quotidiano citadino…

 

 

Produção de um texto expositivo-argumentativo:

 

 

  Engenheiro naval e viajante, Álvaro de Campos é figurado, biograficamente, por Fernando Pessoa, como vanguardista e cosmopolita, espelhando-se este perfil particularmente nos poemas em que exalta, em tom futurista, a civilização moderna e os valores do progresso, como é o caso da «Ode Triunfal».

  Cantor do mundo moderno, o poeta procura incessantemente sentir «tudo de todas as maneiras», seja a força explosiva dos maquinismos, seja a velocidade, a energia, o movimento, identificando-se com esta «flora estupenda, negra, artificial e insaciável». O poeta deseja exprimir-se «como um motor se exprime» e «ser completo como uma máquina», numa volúpia de sensações que chega aos extremos do masoquismo («Espanquem-me a bordo de navios!»).

  Poeta da modernidade, Campos tanto celebra, num estilo torrencial, amplo e até violento, a civilização industrial e mecânica, como expressa o desencanto do quotidiano citadino, apontando os efeitos perniciosos do progresso, como a desumanização, a corrupção moral, a hipocrisia («Maravilhosa gente humana que vive como os cães, / Que está abaixo de todos os sistemas morais…»).

  Em Suma, Campos procura ultrapassar os efeitos de uma sensibilidade frágil e doentia através de uma «histeria de sensações» e a força da máquina surge como uma compensação para o seu falhanço pessoal. (199)

publicado por esjapportugues12 às 17:54

mais sobre mim
Janeiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
13
14
15
16

17
18
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


pesquisar
 
blogs SAPO